Temos muitas oportunidades em meio às diversidades que atravessamos

 

É fato que o Brasil atravessa uma das maiores crises econômicas da sua história. Os dados a este respeito são bem conhecidos. Destaco dois indicadores que resumem a situação: 1) queda do PIB em 3,8% em 2015 e de 3,6% em 2016; 2) desemprego alcançando cerca de 14 milhões de pessoas.

O primeiro – queda do PIB dois anos consecutivos – não ocorria desde o biênio 1930/1931, anos subsequentes ao “crash” da bolsa de Nova Iorque. Ele demonstra uma destruição brutal de riqueza, cujos efeitos deletérios sobre os cidadãos (poder aquisitivo), empresas (competitividade e sobrevivência) e governo (serviços e investimentos), ainda se farão sentir por muitos anos à frente.

O segundo – nível de desemprego – mostra a face mais perversa da presente conjuntura: milhões de famílias impactadas nos seus planos de vida, desde os aspectos mais básicos da existência, até o sonho de um futuro melhor para si e para os seus.

Diante deste panorama, duas perguntas se impõem: 1) como reverter esta situação? 2) dada a nossa história errática, o que aprendemos com tudo isso?

Respostas efetivas a estes questionamentos exigem vencermos o pessimismo do momento sem, entretanto, nos desconectarmos dos desafios que a realidade determina.

Outra questão relevante é superarmos o maniqueísmo do empobrecido debate político – direita e esquerda – e do deserto de lideranças devido à crise moral concomitante à crise econômica. Isso exige assumirmos o protagonismo possível, nos diversos âmbitos que atuamos.

Esse quadro de referências nos motiva a explorar novas possibilidades neste artigo. Por breve o espaço deste texto e complexo o tema, não se pretende exaurir o assunto. Tampouco é desconhecido o caminho, o que justifica certa ousadia ao resumir a resposta para as duas perguntas anteriores na seguinte proposição: as soluções são simples, embora não necessariamente fáceis. São simples por que as referências sobre a prosperidade das nações são vastas. Invariavelmente encontramos na base: 1) igualdade de oportunidades na largada da vida, sustentados por educação e saúde básicos, de qualidade e universais; 2) investimentos em infraestrutura e tecnologia. Ou seja, desenvolver capital humano e capital fixo.

Adicionalmente, contextos de maior liberdade individual e de ambiente de negócios descomplicado, claramente catalizam a interação construtiva dos fatores anteriores, no sentido do crescimento e da geração de oportunidades.

Por tudo isso, o Brasil realmente necessita de uma agenda vigorosa de reformas, incluindo as que já estão na pauta do debate público e outras ainda dormentes. Precisamos encarar o tema da previdência, inclusive devido o imperativo moral de legarmos um sistema sustentável para os nossos filhos. Nas áreas trabalhista e fiscal temos acumulado índices vergonhosos, que nos colocam nas últimas posições de diferentes rankings de competitividade. A estrutura posta nestas áreas, além da evidente inviabilidade de longo prazo, assegura privilégios para poucos, enquanto tolhe possibilidades para muitos.

Estas mudanças são verdadeiramente urgentes, mas não suficientes. Para não limitarmos nossa visão de país somente a aspectos econômicos, devemos incluir outros pilares. Para uma melhor compreensão do tema, sugiro a leitura do relatório elaborado pelo Legatum Institute, entitulado “The Legatum Prosperity Index 2016”, disponível no link: www.prosperity.com/about/ resources.

Cabe a cada um de nós, como cidadãos e lideranças, tomar decisões conscientes em prol da prosperidade sustentável. Esta é uma missão importante demais para delegarmos somente a classe política. Sem dúvida, temos muitas oportunidades em meio às dificuldades que atravessamos.

 
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