Brasil: seguimos acreditando

 

O final dos anos 2000 e o começo desta década podem ser considerados como a época de ouro da indústria brasileira de veículos comerciais. Quarenta milhões de brasileiros haviam cruzado a linha da pobreza, passando a integrar o nosso já gigante mercado consumidor. Para essa demanda adicional, indústria, comércio e serviço se desenvolveram rapidamente. E para dar conta das entregas, autônomos e frotistas foram às compras, adquirindo caminhões.

Também as empresas de ônibus, agora transportando mais passageiros, precisaram renovar e ampliar frotas. E até governos em todas as esferas, com programas como o Caminho da Escola e os Planos de Aceleração do Crescimento (PAC), contribuíram nas previsões mais otimistas para os anos à frente.

Atentas à notoriedade do Brasil, elogiado por especialistas e governantes das maiores economias do planeta, fabricantes de caminhões e ônibus do mundo inteiro, ainda fora daqui, decidiram abrir escritórios e fábricas locais. Já as empresas aqui instaladas, em sua maioria, aumentaram a capacidade produtiva para 420 mil unidades ao ano, considerando os promissores volumes de caminhões e ônibus para o mercado doméstico. Já figurávamos entre os dez maiores mercados de caminhões de ônibus do mundo, e entre os quatro países que lideravam o ranking de ônibus.

Do ano de 2011, com a iminente mudança da legislação das normas Euro 3 para Euro 5, temos apenas ótimas lembranças: seguidos recordes de produção e vendas, projetos a todo vapor... E ainda tínhamos pela frente uma Copa do Mundo e uma edição dos Jogos Olímpicos aqui, em nosso quintal. Me apropriando de uma frase mística, parecia que o universo conspirava a nosso favor.

Em março de 2014, veio a crise política, cujos detalhes são amplamente conhecidos. Lamentavelmente, perdemos a copa, e ao breve momento de exposição positiva dos jogos olímpicos, seguiram-se mais denúncias e pessimismo. O tempo mudou, as nuvens escureceram, o horizonte ensolarado desapareceu.

A queda nos índices de confiança de instituições financeiras, empresários e consumidores caiu, o consumo também, e a indústria de caminhões e ônibus hoje opera com volumes do século passado. A ociosidade fabril é de aproximadamente 80 por cento, com efeito em cascata por toda a cadeia produtiva. Diante de uma deterioração do cenário como a descrita acima, quem se arriscaria a continuar acreditando no Brasil?

Tenho a resposta. Em dezembro de 2016, em meio à descrença de muitos num futuro melhor, a MAN Latin America iniciou o que chamo de “um novo ciclo virtuoso”. Anunciamos um investimento de R$ 1,5 bilhão entre 2017 e 2021. Em abril passado, lançamos um inédito plano de varejo, sucesso que foi até copiado. E em maio, inauguramos na fábrica de Resende (RJ) nosso campo de provas, o mais eficiente por metro quadrado da América do Sul. Asseguro que as boas notícias não vão parar por aí.

Muitos são os desafios a enfrentar. Mas é preciso sair do imobilismo e das críticas que nada constroem. O otimismo continua a ser a maior qualidade dos brasileiros, e no que depender da MAN Latin America, esse novo ciclo virtuoso está apenas começando.

 
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