O caminho da retomada

 

Já passa da hora do Brasil efetivamente retomar o crescimento econômico, se descolando do jogo político. Logicamente que e isso não é fácil, mas o País precisa tocar sua vida, independentemente do que acontece em Brasília. Batemos no fundo do poço e isso não é bom para ninguém.

Mais do que nunca, precisamos trabalhar dentro de uma realidade, com visões de curto, médio e longo prazo. É preciso saber onde estamos para projetar aonde queremos chegar. Previsibilidade é peça-chave para conquistar confiança e atrair investimentos no País, gerando produção, renda e consumo.

No setor de veículos pesados, conhecemos muito bem os efeitos negativos das oscilações de mercado. Nos últimos 10 anos, partimos, por exemplo, de 98,6 mil caminhões emplacados em 2007 para pouco mais de 50,6 mil em 2016. Nesse período, chegamos ao recorde de quase 173 mil unidades em 2011. Ou seja, as vendas entraram em colapso, despencando 70,6% em apenas cinco anos.

Entre 2009 e 2014, o mercado de caminhões navegou em mar aberto com volumes de emplacamentos superiores a 100 mil unidades, causando euforia no setor. Parte dessa empolgação foi motivada pelo crédito farto, juros atrativos como o do Finame PSI e medidas circunstanciais que não se sustentaram.

Mesmo com toda essa instabilidade/volatilidade os fabricantes de caminhões fizeram pesados investimentos na ampliação da capacidade de produção e modernização de suas plantas, como também no desenvolvimento de veículos e novas tecnologias (Proconve P7). Ainda mantiveram os aportes em estrutura, processos e produtos, inclusive para introduzir novas tecnologias que chegam cada vez mais rápido e em maior quantidade ao nosso País, como aquelas ligadas à conectividade.

Agora, necessitamos, sim, trabalhar dentro de um patamar real e sustentável de mercado. A nossa frota circulante beira os 2 milhões de caminhões, com idade média elevada. O potencial de renovação é grande, mas as empresas precisam de condições para isso, como economia em alta, crédito acessível e medidas efetivas que estimulem a renovação de frota. Além disso, temos que colocar em prática o programa de inspeção técnica veicular para os veículos pesados – há um grande número com mais de 30 anos em circulação. Não podemos admitir que veículos inseguros e poluidores continuem a circular por esse País. Isso aumenta o custo do frete e o consumo do diesel, por exemplo. Enfim, essas consequências se transformam no elevado custo Brasil que toda a sociedade tem que suportar.

No início deste ano, eu disse que os telefones dos fabricantes de veículos começaram a tocar, com os clientes fazendo consultas. Agora, ao fim do primeiro semestre, vejo que isso gerou resultados, com a indicação do início da retomada do mercado. Espero que isso se efetive e se encorpe, levando de uma vez por todas o País à frente. Para a indústria automotiva isso é vital. Para o Brasil é crucial. Afinal, o potencial de crescimento não acabou, apenas o barco está à deriva. As carências de infraestrutura, as riquezas do agronegócio, do pré-sal e da mineração, do comércio e da prestação de serviços continuam aí e só precisam ser melhor aproveitados.

Como eu disse, conhecemos o fundo do poço e esse é um lugar que não merecemos ficar. Se a economia se descolar da política, temos tudo para tomar impulso e voltar a crescer.

 
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