Um período impressionante

 

O período de dez anos compreendido entre 2007 e 2017, vai ser conhecido como um dos ciclos econômicos mais impressionantes na história recente de nosso querido Brasil. Compreende um momento em que o crescimento econômico mudou a vida de várias dezenas de milhões de brasileiros, incorporando-os ao que se chama de classe média, seguido por uma quase depressão econômica que só agora dá sinais claros de ter terminado. Em outras palavras, um ciclo econômico clássico com sua fase de euforia seguida por um período em que chegamos a ter o maior número de desempregados das últimas décadas.

Esta descrição permite ao analista descrevê-lo como um movimento clássico de formação de uma bolha de consumo provocada por gastos excessivos do governo e uma expansão descontrolada da oferta de crédito ao investimento e ao consumo. No seu período inicial, ainda no primeiro governo de Lula, foram os estímulos externos, causados pela expansão dos preços das principais commodities, que alimentaram o crescimento da demanda na sociedade brasileira. O saldo elevadíssimo em nossa balança comercial provocou uma valorização vigorosa do real, que funcionou como um elemento fortíssimo na queda da inflação e do aumento real dos salários dos brasileiros.

Paralelamente, com a euforia crescente em relação a nossa economia exportadora de produtos primários, o sistema bancário brasileiro expandiu a oferta de crédito ao consumo, alavancando os ganhos reais de salários e criando uma onda de consumo, principalmente de produtos de maior valor agregado como carros e eletrônicos. O governo, respaldado pelo crescimento importante na arrecadação de impostos, ampliou os programas sociais colocando ainda mais lenha na fogueira do consumo da sociedade. Como sempre acontece nas economias de mercado, o setor privado respondeu racionalmente via aumento de seus investimentos para atender a demanda crescente por seus rodutos. O crédito em expansão, principalmente no setor bancário estatal, completou o ciclo da operação de uma economia de mercado, levando o crescimento do PIB, em 2009, a 10% ao ano.

Mas como sempre acontece em períodos de bolha de consumo, as pressões de demanda sobre o tecido econômico criaram, a partir do ano 2010, gargalos de oferta, que acabaram influenciando o equilíbrio macroeconômico da economia como um todo. E foi o que aconteceu no Brasil por volta de 2012, com desequilíbrios fortíssimos no mercado de trabalho, em função de uma taxa de desemprego muito baixa, e na nossa conta corrente, pelo aumento desproporcional das importações. Outro ponto de desestabilização aparece também no endividamento das famílias pelo crescimento desproporcional do comprometimento da renda com gastos de natureza financeira.

Um dos setores que mais sofreu com a formação desta bolha de consumo, e sua ruptura no início do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, foi o de caminhões. Mas quase todos os setores da economia brasileira sofreram pesadamente neste processo tornando a vida de empresários e trabalhadores, na fase final do ciclo, realmente num inferno.

 
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