Efeito sanfona

 

O Brasil é mesmo um País de potencial e fôlego inesgotáveis. Sempre que reformas ou medidas pró-economia são aprovadas, prontamente as indústrias brasileiras ajustam sua produção para atender as novas demandas, na esperança de que o País retome o caminho do crescimento e de que o desenvolvimento se torne mais consistente. A capacidade de resiliência tornou-se fundamental para avançarmos com vigor rumo à sobrevivência e ao desenvolvimento dos negócios.

Temos enfrentado e vencido crises cíclicas de maior ou menor gravidade, mas nunca houve, na história recente deste País, um período tão longo de dificuldade e que se agiganta a cada dia, por conta de um gravíssimo esquema de corrupção, envolvendo tantos e tão importantes personagens.

Os reflexos negativos deste cenário, de falta de ética e moral na política brasileira, são evidentes em todas as áreas da economia. Um dos mais afetados foi o segmento metalmecânico, que é muito dependente dos investimentos em infraestrutura e do crescimento do país. Os efeitos são nocivos para toda acadeia de produção e para a sociedade que perde emprego e renda.

Para quem conduz os destinos de uma Organização, é desafiador administrar uma empresa num cenário que convive ora com picos de crescimento, ora com depressões ímpares, sem a regularidade exigida pelos investimentos permanentes. Trata-se de uma conjuntura que rompe qualquer meta de planejamento estratégico e que desagrega estruturas industriais montadas ao longo de décadas.

Como criar alternativas para levar uma produção de aproximadamente 75 mil unidades em 2013 para algo em torno de 27 mil unidades em 2016, como foi o caso do setor de implementos rodoviários? Como fica toda a estrutura física e de pessoal pensada para a produção anteriormente alcançada? Em cascata, o prejuízo vai afetando cada parte envolvida que igualmente foi desenhada para uma realidade e se depara com outra, frontalmente adversa.

Passado a limpo, o Brasil precisa retomar uma política de fomento que devolva tranquilidade a quem produz e a quem trabalha, verdadeiros agentes econômicos. Aumentando a confiança, um novo ciclo de crescimento se estabelece, gerando o aumento do consumo, é ampliada a produção, a geração de emprego, de impostos e da renda no país.

A roda da economia tem que girar no sentido normal e no ritmo necessário às demandas do soberano mercado, ainda que tenhamos que considerar o componente de risco sempre agregado ao ato de empreender. Para isto, é urgente que se moralize o Brasil para que não fiquemos todos à espera de milagres que não virão.

 
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