Um mercado para os fortes

 

O mercado brasileiro de veículos comerciais de carga, onde está inserido o setor produtor de implementos rodoviários, é para os fortes. Ao longo dos últimos 10 anos as indústrias que o compõem experimentaram a euforia de vendas acima da média seguida de uma depressão de mais de dois anos com queda acentuada nas vendas. Com o final dessa estória ainda sendo escrito.

Em um primeiro momento a euforia do mercado superaquecido foi contagiante, com vendas crescentes e crédito abundante e acessível. Por conta dessa maré favorável as empresas planejaram e realizaram investimentos com objetivo de melhorar seus produtos e sua capacidade produtiva.

Aquele crescimento fora do comum, sustentado por subsídios governamentais generosos na forma de juros negativos, nublou a visão de praticamente todos os players. Os mais realistas estimavam que haveria algum recuo de mercado, nada muito forte, mas que funcionaria como uma acomodação de vendas com o setor como um todo passando a operar em um novo patamar de negócios.

A virada da maré veio mais forte do que todos imaginavam. As vendas despencaram e os balanços nunca mais voltaram para o azul. O ajuste das empresas à essa realidade foi e está sendo penoso, com demissões, corte de investimento e toda sorte de ajustes.

Resistir em um ambiente economicamente tão hostil é uma prova de resistência.

Mas as primeiras luzes se acenderam no horizonte mesmo que tímidas. Os indicadores econômicos apontam para resultados menos negativos e até positivos.

No segmento de implementos rodoviários as primeiras reações, na forma de desempenho positivo no volume de emplacamentos, começaram no segmento de Reboques e Semirreboques. É nessa faixa de mercado que estão as movimentações de carga de grande porte, insumos para a indústria, produtos do agronegócio e outros itens que são vistos circulando pelas estradas brasileiras a bordo de uma enorme variedade de implementos rodoviários.

Mas ainda estamos longe de respirar aliviados com a certeza que o pior já passou. O final, que todos esperam seja feliz, ainda está sendo escrito.

A lição que aprendemos desses 10 anos é que a queda é sempre mais rápida que a retomada. Trata-se de um processo complexo onde indústria e governo precisam se dar as mãos e colocar suas melhores qualidades e ativos a serviço do bem estar geral. Do lado do setor privado isso significa criatividade, resiliência e persistência porque muitas famílias dependem da existência da indústria. Da parte do governo é necessário atenção e vontade real de dar suporte, não subsídio, utilizando as estruturas de fomento existentes e eficientes, como o BNDES.

Reconstruir o mercado demolido pela crise é um trabalho que exige muita perseverança e parceria.

 
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