10 anos de avanços e contradições no TRC

 

O ano de 2007 foi um marco na história do setor, pois em janeiro daquele ano entrava em vigor a Lei 11.442/07 que passou a regulamentar o setor até hoje, era o coroamento de uma luta de mais uma década do SETCESP e das demais entidades empresariais, como a NTC e CNT, visando combater o alto grau de informalidade até então existente.

Com a nova norma veio a necessidade de as empresas e seus veículos serem cadastrados na ANTT, o empresário para atuar no setor passou a ter que ter idoneidade financeira e moral, foi regulamentado a cobrança da hora parada, o seguro obrigatório, entre outas exigências que ajudaram a pôr uma organização no mercado de transporte.

Também foi o início do segundo mandato do Ex-Presidente Lula que, em que pese as denúncias do mensalão, o seu governo gozava de grande prestigio interno e externo que, somado a uma conjuntura econômica mundial (fator China) favorável, contribuía, e muito, para um crescimento invejável na faixa de 4% a 7%, em média ao ano. O que culminou na diminuição do desemprego, aumento do consumo, mercado de frete em alta e possibilidade de investimento em equipamento e infraestrutura.

Houve um grande susto em 2008 quando o sistema bancário e a o mercado imobiliário (efeito bolha) norte americano entraram em colapso, foi um susto no mundo e se fez sentir no Brasil. Mas, como as políticas macroeconômicas estavam indo bem, sem contar com as fortes reservas cambiais depositadas no Banco Central e nossa balança de comércio exterior estar superavitária conseguimos suplantar rapidamente esta fase mantendo bons níveis de crescimento.

No plano de abastecimento das grandes metrópoles, o setor enfrentou severas restrições às suas atividades, pois os caminhões foram proibidos de rodar durante o dia, ou quando podiam, era de forma mitigada, o que obrigou o setor a adquirir veículos utilitários. Tal situação obrigou o setor a reformular toda a sua frota e eleger o VUC como o veículo central para abastecer os grandes centros. O que demandou enormes cifras de investimentos e implementos rodoviário.

No período da Ex-Presidente Dilma Rousseff, cujo governo iniciouse em janeiro de 2011, o processo de crescimento continuava a todo vapor, e o risco de um apagão logístico por falta de caminhão e infraestrutura viária havia se acomodado.

Em 2012 foi aprovada a lei do motorista profissional, regulamentando a atividade destes profissionais, o que trouxe um grande impacto para as empresas que tiveram que correr para se adaptar às novas exigências de gestão de pessoal.

Esta lei, somada com as novas regras de 2007, se tornaram o marco regulatório do setor, mas que até os dias de hoje ainda se debate o aprimoramento das mesmas.

Neste período também ocorreu a falta de mão de obra especializada, o que obrigou as empresas a buscarem o mercado externo visando contratar motoristas estrangeiros.

Também travamos a luta pela inclusão do TRC na lei de desoneração da folha de pagamento de salários, pois a carga tributária tem peso razoável nas planilhas de custo, o que o SETCESP, juntamente com as entidades coirmãs, logrou êxito e em 2015 a mesma começou a ser aplicada no TRC.

Lamentavelmente, no mesmo período, a economia brasileira começou a desandar, o descontrole das contas públicas somadas à falta de reformas estruturais e necessárias para retomada do crescimento econômico impôs um retrocesso na atividade comercial do país jamais vista em sua história. E o problema se agravou com os escândalos de corrupção e a crise política que culminou no impeachment da presidente.

Vivemos um período de retomada da economia, que só não é mais auspicioso em face da crise política que insiste em permanecer em Brasília, sem contar nos efeitos da denúncia de corrupção que escandalizam o país.

Mas o setor é forte, vamos passar esta fase e temos certeza que a partir do ano que vem as coisas começam a entrar no eixo.

 
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