Tecnologias para economizar combustível

 

Há anos a Mercedes-Benz se mantém na liderança do mercado total de ônibus com quase 50% das vendas. E líder não pode dormir no ponto. A empresa tem já pronta uma série de novidades tecnológicas para oferecer ao mercado a partir de agosto. Todas elas serão apresentadas no principal evento do setor, a Transpúblico, organizada pela Associação Nacional das Empresas de Transporte Urbano (NTU), que acontece de 29 a 31 de agosto no Transamérica Expo Center, na zona sul da cidade de São Paulo.

Duas inovações tecnológicas, com toda certeza, vão cair no gosto dos frotistas: o sistema de desligamento automático do motor e, com disponibilidade a partir de novembro, o módulo de recuperação de energia elétrica. Estas duas empresários do setor mais buscam: maior rentabilidade com economia de combustível.

“Além da redução do custo operacional para os clientes, essas novas tecnologias diminuem o consumo de combustível e melhoram a eficiência energética, trazendo ganhos para as empresas de transporte de passageiros, para a qualidade do ar e a preservação do meio ambiente”, afirma Walter Barbosa, diretor de Vendas e Marketing de Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil.

O sistema de desligamento automático do motor, batizado com a sigla “EIS” (Engine Idle Shutdown), será item de série para todos os chassis Mercedes-Benz (urbanos e rodoviários). Já o módulo de recuperação de energia, sigla “RKM” (o termo é alemão), será oferecido como item opcional para os ônibus rodoviários O 500 M e U, e também para os urbanos articulados e superarticulados.

O sistema EIS, além de economizar combustível, é disciplinador, pois mostra ao motorista que ônibus parado em garagem ou terminais urbanos deve ser desligado tanto para economizar combustível como para não prejudicar o meio ambiente. Se o ônibus estiver parado com motor ligado, câmbio no ponto morto e freio de mão acionado, em quatro minutos o sistema desliga completamente o motor. Nesta condição, o motorista terá que religar o motor para seguir viagem.

“Esta é uma situação bastante comum em garagens, rodoviárias, terminais urbanos e pontos de parada”, explica Barbosa. “Nessas circunstâncias, o EIS entra em ação, proporcionando economia no consumo de combustível, além de reduzir as emissões de poluentes e de ruídos. Esta solução acaba por contribuir para a conscientização do motorista quanto à necessidade de se desligar o motor se o veículo ficar parado por um tempo prolongado”.

A introdução dessa tecnologia atende a uma demanda crescente das empresas de transporte de passageiros pela redução dos custos operacionais. “Estamos atentos às necessidades dos clientes, trazendo soluções eficientes e robustas. O sistema EIS, por exemplo, é utilizado com amplo sucesso em ônibus Mercedes-Benz na Europa”, acrescenta o executivo.

Também largamente utilizado na Europa é o módulo RKM. O gerenciamento do RKM aproveita a reserva de capacidade de energia elétrica produzida pelos alternadores do veículo, principalmente nos momentos de desaceleração, e a armazena em potentes super capacitores, que atuam de modo autônomo. A energia elétrica extra é utilizada como fonte adicional durante os momentos de aceleração do ônibus.

“Com os super capacitores carregados, o RKM disponibiliza uma carga de energia elétrica que normalmente é fornecida pelos alternadores, que são acionados pelo motor do veículo. Ao liberar os alternadores dessa função, o sistema propicia economia no consumo de combustível”, explica Barbosa. “Nos testes realizados pela engenharia de desenvolvimento, foram registradas economias médias de cerca de 2%”.

Os supercapacitores funcionam com baixa tensão de 24 V e, por isso, podem ser carregados de maneira rápida. A energia elétrica armazenada pode ser aproveitada imediatamente por qualquer componente que consuma energia. A vantagem, além da redução de combustível, é maior vida útil para baterias e os alternadores do veículo.

Novo produto para escolares

No segmento Caminho da Escola, para veículos acima de 8 toneladas, a Mercedes-Benz fechou o semestre passado com 35% de participação emplacando 340 unidades do chassis OF. A marca atua neste segmento com dois modelos: LO 815 e OF 1519 R. Agora vai lançar um meio termo, o micro-ônibus LO 916 off-road, como o nome já sugere, veículo projetado para encarar estradas sem pavimento mas oferecendo o máximo possível de conforto e segurança para os estudantes.

Esses três chassis atendem às especificações do programa Caminho da Escola, ação do FNDE – Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação, órgão ligado ao Ministério da Educação. O LO 916 off-road enquadra-se na categoria ORE 2 (Ônibus Rural Escolar médio, para 44 assentos para estudantes), enquanto o LO 815 é indicado para ORE 1 (29 assentos). Por sua vez, o OF 1519 R é indicado para o ORE 2 e também para o ORE 3 (Ônibus Rural Escolar grande, 59 assentos).

Entre as características do LO 916 para aplicações off-road destacams o bloqueio de diferencial no eixo traseiro, pneus de maior banda de rodagem (235/70 R 17,5) para estradas de terra e vias não pavimentadas, sistema de freio com válvula sensível à carga, filtro de ar com elemento de segurança, limitador de velocidade de 70 km/h, rastreador com extração de dados e molas parabólicas na dianteira e traseira.

“Com o lançamento do LO 916, ampliamos as opções de produto ao mercado de micro-ônibus para transporte de alunos em zonas rurais, que tem mostrado tendência de aumento de vendas no País”, destaca Walter Barbosa, diretor de Vendas e Marketing de Ônibus da Mercedes- Benz do Brasil. “Este segmento que vem tendo crescimento muito positivo em 2017, de cerca de 250%”. De acordo com o executivo, a expectativa positiva de aumento nas vendas de ônibus escolares no País apoia-se em nova licitação em andamento do programa Caminho da Escola. “O FNDE lançou um pré-edital para a licitação para 4.800 ônibus, sendo 1.600 unidades para cada uma das três categorias do ORE”, ressalta Walter.

Entre vários requisitos, o FNDE exige um motor que atenda à legislação de emissões e características específicas para uso em vias não pavimentadas, como balanços dianteiro e traseiro curtos (para facilitar a circulação em solo acidentado) e bloqueio de diferencial no eixo traseiro (para melhorar a tração em áreas irregulares, como terrenos alagados, por exemplo). De acordo com Barbosa, todas as solicitações do FNDE são atendidas pelos chassis LO 815, LO 916 off-road e OF 1519 R.

 
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