Um padrão de alto nível

 

Por força da atual situação do mercado brasileiro para ônibus, Fabiano Todeschini, presidente da Volvo Bus Latin America, passa os dias com redobrada atenção para os mercados em expansão da América Latina. A sorte desta crise, para quem exporta, é que, se o Brasil encolheu, “los Hermanos”, com exceção de Venezuela, expandiram a economia.

Enquanto no Brasil o mercado de ônibus ainda é uma incógnita, na Argentina, Colômbia, Equador, Chile e Paraguai só há uma certeza: expansão acelerada. De acordo com Todeschini, “em 2011, 60% da produção da marca era destinada ao mercado interno. Desde a crise iniciada no final de 2014, esta situação se inverteu e, atualmente, 70% da produção vai para exportação”. O executivo ainda frisou que até a Argentina, que sempre teve um mercado muito inferior ao brasileiro, está comprando mais ônibus que o Brasil. Mesmo assim, a Volvo entende que há diversos indicadores que apontam para demanda reprimida por ônibus no País, “particularmente no segmento de urbanos cuja frota não é renovada há quase dez anos”, enfatiza Gilberto Vardânega, diretor comercial da Volvo Bus.

Vardânega está de olhos nas licitações que serão abertas neste ano, em especial a paulistana. “Certamente vai haver renovação, até porque é preciso, mas, mesmo assim, se tudo correr bem, vendas mesmo só no ano que vem”, diz o diretor. Para se preparar para uma potencial renovação da frota e buscando oferecer veículos mais modernos que entregam mais eficiência aos operadores, a marca sueca lançou no início de agosto seu novo “padron” pesado, indicado para linhas alimentadoras. Trata-se do B8R que vai substituir o modelo B7R e, conforme informou a Volvo, vai ser vendido com o mesmo preço do antigo modelo.

“Nosso B7R foi um sucesso de vendas. Foram comercializadas mais de cinco mil unidades na América Latinal e, só na cidade de São Paulo, temos quase 1,5 mil veículos deste modelo rodando”, afirma Vardânega. De acordo com a engenharia de vendas da Volvo, o novo chassis traz como principal novidade um novo trem de força com motor novo e duas opções para caixa automáticas: ZF e Voith. “As caixas automáticas também são de nova geração, desenvolvidas junto com nossa engenharia para entregar mais eficiência e economia”, diz Renan Schepanski, engenheiro de vendas de ônibus.

O novo motor, agora de 8 litros, desenvolvido na Suécia, e fabricado no Brasil, terá mais itens nacionalizados e, segundo Schepanski, consegue ser 3% mais econômico que o motor anterior, de 7 litros. “Outra vantagem é a redução do engenheiro de vendas de ônibus. O novo motor, agora de 8 litros, desenvolvido na Suécia, e fabricado no Brasil, terá mais itens nacionalizados e, segundo Schepanski, consegue ser 3% mais econômico que o motor anterior, de 7 litros. “Outra vantagem é a redução do custo de manutenção em até 4%”, afirma o engenheiro que destaca, ainda, o fato da troca de óleo ter sido estendida de 30 mil quilômetros, do modelo anterior, para 40 mil quilômetros, no atual modelo.

O novo motor entrega 250 cv de potência e 950 Nm de torque (o anterior chegava a 290 cv). No Brasil será disponível apenas esta versão com 250 cv. Já para exportação há duas opções do mesmo engenho: 250 cv e 330 cv. A explicação para uma versão de maior potência para mercados latinoamericanos é a topografia de alguns países do continente. “Alguns veículos operam em altitudes acima de dois mil metros e, para estas situações, há perdas de potência. Por isso desenvolvemos um produto que possa oferecer, mesmo em elevadas altitudes, a mesma eficiência que seus similares nas planícies”, comenta Vardânega.

Fabiano Todeschini: atenção redobrada aos emergentes mercados latino-americanos.

O modelo possui configuração de eixo 4x2 e está disponível nas versões com pisos alto e baixo. O B8R é equipado, de fábrica, com softwares de conectividade para facilitar a ativação do sistema de gerenciamento de frotas Volvo (Fleet Managment) e o I-Coaching. As ferramentas auxiliam gestores de frota a traçar estratégias para reduzir os custos da operação e os motoristas a extraírem a máxima eficiência do veículo, com dicas de como dirigir com menor consumo de combustível e menor desgaste de peças.

“Para garantir os resultados de desempenho e consumo, a Volvo trabalhou no desenvolvimento avançado da engenharia do veículo, e em simulações de performance e testes para adequar o veículo ao mercado latinoamericano e garantir sua eficiência”, comenta Renan Schepanski.

Depois do período de desenvolvimento, o B8R passou por diversos testes de campo com clientes da marca em diferentes condições de tráfego urbano, topografia e quantidade de passageiros.

Uma das empresas de transporte a testar o novo chassi da Volvo foi a Viação Santa Brígida, que opera em linhas urbanas das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro da cidade de São Paulo. “Dada a nossa experiência positiva com o modelo B290R, os testes iniciais com o B8R mostram boa adaptação às condições técnicas e viárias, sobretudo a expectativa do aumento entre intervalos de manutenção preventiva”, destaca Fernando Cesar Bastos Filho, gerente de Manutenção da Viação Santa Brígida.

 
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