Apanhador no campo de cana

 

Engenharia criativa é sempre muito bem vinda, particularmente em tempos mais difíceis. Se os negócios nos campos da indústria e comércio estão estagnados, na lavoura, mais uma vez, a coisa continua boa. O setor sucroalcooleiro, que enfrentou problemas financeiros no passado, focou na exportação de açúcar e vem se dando bem. “Quem atua mais na produção de açúcar para exportação sofreu bem menos com a crise do que as usinas focadas em produção de álcool”, diz Paulo Meneguetti, diretor da Usina Santa Terezinha, umas das maiores do Brasil quando o assunto é exportação de açúcar.

Os preços internacionais do açúcar ainda não animam, mas, pelos cálculos de Meneguetti, os estoques mundiais estão baixando e certamente os preços vão subir e tornar a operação aqui ainda mais rentável. E com a safra de cana deste ano 3,1% maior do que a do ano passado, o negócio é não perder tempo em toda processo logístico: da colheita ao processamento da cana e, fora da usina, no momento de transportar o produto aos portos exportadores. A Volvo, com sua linha de produtos semipesados e pesados, além dos veículos off road, participa de todo processo e agora sua engenharia adaptou o caminhão VM para a operação de colheita e transbordo de cana-de-açúcar.

O caminhão é um VM 6x4, com 270 cv de potência e eixo rígido. O veículo, já disponível, foi desenvolvido especificamente para a Usina Santa Terezinha que tratou de adquirir 62 destes novos veículos para já operarem nesta safra. “Temos um terço da safra já colhida e os VM estão trabalhando sem parar desde março”, diz Meneguetti. De acordo com o empresário, ainda não foi possível fazer uma avaliação técnica mais apurada do novo veículo, mas assegura que a grande vantagem já é notória: “a disponibilidade do novo VM é muito maior”.

O que a engenharia criativa da Volvo fez foi adaptar um semipesado para fazer o serviço que, em muitos canaviais, fica por conta dos tratores.
Em conjunto com a área técnica da Usina Santa Terezinha, a engenharia de vendas da Volvo decidiu colocar várias proteções para evitar que componentes ficassem sujeitos à poeira e a agressividade do ambiente por onde o caminhão se desloca. O objetivo foi principalmente diminuir a necessidade de manutenção.

Foram colocadas proteções para o catalisador, o injetor de ureia, as válvulas pneumáticas e a chave geral, além de feita a vedação e realocação do radiador do ar condicionado. Outra alteração foi aumentar a altura das suspensões dianteira, em mais 30 milímetros, e da traseira, em mais 20 milímetros, além de ter sido aumentado o ângulo de ataque do caminhão. O VM também conta ainda com bloqueio de diferencial, o que proporciona saídas suaves em terrenos mais acidentados e escorregadios.

Além disto, um sistema de bloqueio automático das rodas também foi montado. Tudo isto para garantir o transporte da cana desde a lavoura até a usina. Com as adaptações, o veículo faz manobras mais rápidas, garantindo mais agilidade na lavoura. O VM também tem um custo de aquisição menor, velocidades maiores, e consumo de combustível menor em relação aos tratores agrícolas que tradicionalmente puxam um implemento para receber a cana ao lado da colheitadeira. “Ele se tornou a solução ideal no transbordo de cana-de-açúcar”, afirma Bernardo Fedalto, diretor de caminhões da Volvo no Brasil.

Vocação internacional

Um dos principais players do setor sucroenergético estabelecidos no País, o Grupo Usaçucar (Usina Santa Terezinha) é também um dos maiores exportadores de açúcar do Brasil. Sediado em Maringá, Noroeste do Paraná, produz açúcar, etanol e energia de biomassa.

O Grupo conta com mais de 20 mil colaboradores em suas 11 unidades industriais e agrícolas – dez no Paraná e uma no Mato Grosso do Sul. Em 2013, a Usaçucar exportou 1,52 milhão de toneladas de açúcar e 121,68 mil metros cúbicos de etanol. 100% da produção de açúcar do grupo é destinado à exportação. O faturamento naquele ano chegou a R$ 2,02 bilhões. Neste ano o grupo espera faturar R$ 2,5 bilhões.

 
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