Negócio em expansão

 

Os dados são alarmantes e pouco animadores: o número de assaltos a carros fortes vem aumentando em todo o Brasil. Em 2015 foram 22, no ano passado subiu para 26 e, só no primeiro semestre deste ano, 24 ocorrências foram registradas. Em valores, as somas assombram: no ano passado foram roubados 35 milhões de reais nestas ações criminosas. Neste ano, os bandidos roubaram 52 milhões de reais. As ações, normalmente, são semelhantes, os marginais travam a passagem do veículo, rendem os seguranças e explodem tudo. Para o veículo é perda total.

De acordo com a Associação Brasileira de Transporte de Valores (ABTV), as empresas de transporte de valores abastecem 160 mil caixas na transferência de dinheiro para os bancos, shoppings, hospitais, faculdades, empresas, supermercados. Além disso, há, ainda, o transporte de mercadorias de alto valor agregado, como remédios e aparelhos eletrônicos. Com o recrudescimento dos roubos de carga nas estradas, transportadoras trataram de se valer de escolta e até caminhões blindados.

Mas o crime segue crescente e, há cerca de cinco anos, aumentou significativamente a demanda para empresas de transporte de valor atuarem neste nicho. O problema com roubo no Brasil é tão grave que muitos embarcadores preferem contratar os serviços especializados de empresas de transporte de valores. Empresas como a Prosegur, líder neste segmento, e a Protege já atuam neste negócio com cavalos-mecânicos blindados puxando carretas. De acordo com Rubens Carbonari, diretor regional da Prosegur, a companhia está investindo mais de R$ 5 milhões na ampliação da frota e no desenvolvimento de soluções para o transporte de mercadorias com alto valor agregado para atender a crescente demanda de seus clientes por esse tipo de transporte.

“O negócio ainda representa pouco mais de 3% de nosso faturamento, mas a demanda só aumenta ano a ano e, por isso, resolvemos entrar com força neste segmento e investir em cavalosmecânicos blindados”, diz Carbonari.

A Prosegur acabou de fechar a compra de sete caminhões extrapesados Mercedes-Benz Axor 2644 8x4. Estes caminhões passam a ser os maiores blindados do Brasil e da América Latina. Para atender as solicitações da Prosegur, o veículo ganhou implementação especial, com tração 8x4, para transporte de produtos e mercadorias de alto valor agregado. Assim, pode tracionar semirreboques como o bitrenzão (composição de 10 eixos), assegurando uma capacidade volumétrica de carga de 175 metros cúbicos (100 no primeiro semirreboque e mais 75 no segundo), com até 74 toneladas de PBTC.

Carbonari reforça, ainda, que todas as soluções desenvolvidas para ampliar a segurança no transporte de cargas especiais dos clientes têm se mostrado muito eficientes. “Desde 2011 já foram realizadas 6.777 operações com o sistema da Prosegur em todo o país, com sinistralidade zero em mais de R$ 10 bilhões em cargas transportadas”, destaca.

“A Prosegur já conta com sete unidades dessa versão especial do Axor na sua frota, buscando atender um segmento de mercado em crescimento no País, que é o do transporte de cargas valiosas”, comenta Roberto Leoncini, vice-presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Caminhões e Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil.

Além dos sete caminhões Axor, a Prosegur adquiriu, no mesmo negócio, mais 134 chassis 915 E Mercedes-Benz. Estes chassis são desenvolvidos especificamente para serem implementados como carrosfortes. De acordo com Leoncini, este é um mercado que, historicamente, mesmo a despeito da crise, movimenta cerca de 300 unidades por ano. A frota circulante é de cerca de 6,5 mil veículos. No ano passado, foram emplacados 300 carros-fortes e a MAN Latin America liderou este nicho com 58,8% do mercado (vendeu 169 unidades).

Neste ano, a temporada de renovação de frota está a todo vapor e já foram emplacados 239 unidades. Por enquanto, neste ano, a Mercedes-Benz está na frente até por conta da substanciosa venda que acabou de fazer para a Prosegur. A MAN Latin America, contudo, foi a primeira a oferecer chassi especialmente dedicado para transporte de valores. Em 2003 a montadora apresentou na Fenatran o primeiro carro forte desenvolvido em conjunto com a TCT Blindados e sugestões técnicas da Protege. Antes disso, carros fortes eram produzidos a partir de transformações feitas em caminhões leves.

Novo carro forte da MAN: projeto prevê maior capacidade de carga para esta categoria.

Quando um quilo vale uma fortuna

Com o mercado estável e em uma disputa acirrada com a Mercedes-Benz, a MAN Latin America, líder deste segmento, procura antecipar tendências para sempre estar com o portfólio competitivo. Recentemente a montadora aumentou o PBT (Peso Bruto Total) de seu chassi vocacionado VW 9.160 CE para torná-lo o maior da categoria. Com isso, o modelo passou de 8,5 mil quilos de capacidade para 9,3 mil quilos.

A engenharia de Resende, RJ, aumentou a robustez do chassi para levar 800 quilos a mais de carga sem perder potência. Lembrando que, neste setor, um único quilo representa, verdadeiramente, muito dinheiro. Você é capaz de imaginar um quilo de notas de 100 reais? Considerando que cada nota pesa cerca de 0,25 gramas, para se juntar um quilo seriam necessárias quatro mil notas ou, em valores, 400 mil reais.

A MAN Latin America tem o maior portfólio de veículos para o segmento de valores com os chassis vocacionais 5.150 CE, 8.160 CE e 9.160 CE, além do caminhão rígido Delivery 10.160 e o Constellation 24.280 e agora, com a necessidade de oferecer mais segurança no transporte de cargas mais valiosas, há também o cavalo-mecânico blindado Constellation 25.420.

 
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