Da natureza permanentemente mutante dos merados

 

Um tópico sempre presente a atrapalhar o sono dos estrategistas da indústria automotiva, e aliás não só dela, é a característica permanentemente mutante dos mercados.

Não importa como o mercado se encontra hoje, o certo é que vai mudar. Para cima ou para baixo numa eterna montanha russa sem qualquer indicio seguro de previsibilidade, ao sabor da economia, dos governos, das culturas, da moda, enfim, só Deus sabe ao certo.

O ponto focal é o cliente. Aquele que movido, seja lá por qual interesse for, vai escolher seu produto, aquele do concorrente, ou nenhum deles.

Não à toa se gastam somas imensas na busca do “algoritmo milagroso”, para que nosso supercomputador comprado por igual fortuna, possa colocar um mínimo de previsibilidade neste “insensato mundo”.

Departamentos imensos com nomes pomposos e equipamentos idem, são estabelecidos e continuamente reestruturados na busca de uma antecedência confortável que nos permita prever as “trombadas” ou acelerações de mercado de forma a não sermos apanhados com “as calças arriadas” e termos de enfrentar a fúria dos acionistas cada vez mais preocupados com o retorno rápido de seus investimentos em um mundo onde estes retornos não são mais comparáveis dentro de nosso segmento, mas comparados a segmentos que nos parecem tão remotos e estranhos como satélites, comunicações, genética, etc.
Tanto mais complexa a operação e sua abrangência geográfica e mais agudos são os problemas e as dificuldades de sua antecipação.
Operações globais lidam com mercados tão diversoscomo o norte americano e o africano.
Guardadas as devidas proporções, antecipar não só o comportamento do mercado como os gostos dos clientes de cada parte do globo pode significar estar no topo da lista ou fora dela.

Entretanto as disparidades culturais, geográficas, de renda, etc., não só desempenham papel preponderante a complicar este quadro como a falta de representatividade de cada uma destas variáveis no processo decisório transforma o exercício previsional, de uma ciência, em uma quase magia negra, ainda que o “big data” venha nos tentar convencer de um possível contrário.

Até agora, a indústria automotiva tem se beneficiado de uma crescente hegemonia cultural iniciada por Henry Ford, a qual tem se sobrepujado a todos os demais valores da sociedade, dando eco, num verdadeiro exercício de Goethe em seu Fausto, lembrar-nos de Milton com sua frase “Prefiro reinar no inferno que servir no céu”, exemplificada em seu ponto máximo na falência da aventura do pequeno carro Nano da Tata. De novo a falta de entendimento mais pleno da dinâmica dos mercados e da mente dos consumidores leva a desastres, ressoando o ditado popular que “De boas intenções, está pavimentado o caminho do inferno”.

E o que fazer agora com os modelos tradicionais de lucro, como o pós-vendas, ou os volumes de produção quando a encruzilhada da indústria está logo aí a vista com o pesadelo anunciado dos seus híbridos, elétricos autônomos, uso sobre posse, etc.?

De novo, pode demorar, mas de uma coisa esteja certo, vai mudar....

 
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