Automatizadas x automáticas

 

O mercado já entendeu que, em qualquer situação, as transmissões automatizadas ou automáticas são sempre melhores que a opção manual. Mas há ainda muita dúvida quanto à utilização de uma ou outra. É claro que cada transportador sabe exatamente quais são as características de sua operação, e como se dá o consumo de combustível e o devido desgaste de seus veículos.

Marcelo Ernesto, gerente de Serviços de Campo da Eaton América do Sul

Por isso, Transpodata decidiu tentar dirimir estas dúvidas diretamente com os principais fabricantes de transmissões.

Quando usar as automatizadas?

“Com a evolução das tecnologias aplicadas às transmissões, pode-se dizer que a transmissão automatizada tem se apresentado sempre como a melhor opção quando comparada à manual, em diferentes situações”, comenta Silvio Furtado, diretor de Vendas da ZF, empresa que fornece automáticas para ônibus e automatizadas para caminhões.


Transmissão AS Tronic da ZF equipada com o Retarder, componente que aumenta o poder de frenagem de caminhões pesados.

“Nas estradas e até mesmo, operações mais pesadas, a transmissão automatizada é a mais recomendada justamente por que a troca das marchas é feita na menor faixa de rotação do motor, o que proporciona maior velocidade na execução do trabalho e padroniza a condução”, atesta o executivo da ZF.


Silvio Furtado, diretor de Vendas da ZF

Boas transmissões e seus acessórios também ajudam a reduzir o desgaste de itens de uso severo, como os freios. “As transmissões da família AS Tronic podem ser combinadas com o Intarder, nosso freio hidrodinâmico que pode ser totalmente integrado à transmissão devido ao seu design compacto. O Intarder, além de impulsionar a força de frenagem do motor, também reduz a carga do freio de serviço em até 90%, principalmente em trechos longos de descida. O conjunto aumenta a segurança e diminui os custos de manutenção”, acrescenta Furtado.


Caixa de câmbio I-Shift da Volvo

“Outro fator positivo de adquirir um veículo comercial equipado com uma transmissão automatizada é a relação entre custo de aquisição e preço de revenda do veículo usado”, diz Marcelo Ernesto, gerente de Serviços de Campo da Eaton América do Sul. Uma possibilidade que deve ser levada bem em conta, já que o mercado de seminovos movimenta, em média, 300 mil unidades por ano.


Transmissão Allison série 3000

Para Ernesto, o futuro pode trazer uma presença massiva das transmissões automatizadas. “Elas estão preparadas para a maioria das aplicações. Toda robustez da base mecânica da transmissão manual é transferida para a transmissão automatizada. O controle da operação sai do motorista e passa para o software presente na Unidade de Controle Eletrônico da transmissão que possui parâmetros de operação bem definidos e incorpora proteções para o trem de força. Os atuadores engatam as marchas e acionam a embreagem. Eles foram desenvolvidos especificamente para caminhões, que além dos requisitos de durabilidade, possuem proteções contra intempéries e contaminações externas”, explica o executivo da Eaton.


Manopla da transmissão i-shift da Volvo

Em nota, a Voith respondeu que “as transmissões automatizadas são mais adequadas para situações onde a densidade das trocas de marchas é mais baixa, condição típica de aplicações rodoviárias de média e longa distância. Estas são eficientes por conseguir, através de um sistema inteligente de troca de marchas, otimizar a utilização do trem de força, parcialmente independente da vontade do operador”.

Mas e o consumo? “Temos colhido nas nossas avaliações resultados que variam com estes fatores, mas a grande maioria está na ordem de 2% a 6% em relação à transmissão manual e até 20% em relação à transmissão automática. Esses resultados são atingidos porque as trocas de marchas são definidas em função do ponto ótimo da faixa de consumo dos motores”, responde Marcelo Ernesto.

Vale citar que em fabricantes como a Volvo, de cada dez caminhões pesados da linha FH que saem da linha de produção em Curitiba (PR), nove são equipados com a caixa de câmbio I-Shift – transmissão automatizada que só não tem o status de item de série. Por enquanto.

Mas, e as puramente automáticas?

“Elas se destacam em aplicações severas de muito ‘anda e para’, como coleta de resíduos, ônibus urbano, betoneiras e máquinas agrícolas tipo pulverizadores, e também para aquelas operações que exigem rápida aceleração, como nos veículos de emergência”, fala Evaldo de Oliveira, diretor de Operações da Allison Transmission para a América do Sul.

“Em um dia de trabalho numa construção, por exemplo, uma manual ou manual automatizada pode fazer até 1.500 trocas de marcha. Essas interrupções de potência podem interferir de 1 a 3 segundos por troca de marcha, fazendo com que a frota perca dinâmica e tempo. É aí que a automática se destaca”, fi naliza Oliveira.

 
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