Drible na crise

 

Na coletiva de imprensa convocada para apresentar o pacote de robustez que agora estará presente nos caminhões semipesados Atego rodoviários, o que mais chamou a atenção foi o clima festivo com que os executivos, após darem detalhes técnicos das novidades, anunciaram a supervenda de 524 caminhões para operação fora de estrada na Raízen. Uma venda deste porte é, de fato, novidade alvissareira em um setor que, há três anos, vem amargando queda em cima de queda. E, para animar ainda mais, as novidades técnicas do Atego mais robusto vieram com outro anúncio de uma grande venda: 20 novos semipesados da família Atego, todos já paramentados com o pacote mais robusto, para a transportadora Via Lácteos, com sede em Matelândia, interior do Paraná.

O negócio feito com a Raízen foi a melhor venda que a Mercedes-Benz já realizou nesta década, mesmo considerando os áureos anos de mercado inflado (de 2011 a 2013). Foram 238 extrapesados Axor 3344S 6x4 (já em operação na safra de cana) mais 286 Atego 2730 6x4 que serão entregues à empresa Borgato, uma das maiores locadores de equipamentos pesados do País, que serão utilizados para serviços de apoio à produção de cana-de-açúcar nas unidades da Raízen (estes veículos as entregas já começaram e vão até setembro).


Ian Dobereiner (esquerda), diretor agrícola da Raízen, cumprimenta Roberto Leoncini, vice-presidente da Mercedes-Benz: a venda da década!

O negócio não foi grande apenas em quantidade de caminhões, mas também foi o maior volume de serviços agregados vendidos a um só cliente: todos os 238 Axor contam com Plano de Manutenção pleno (que contempla serviços, troca de peças e revisões no sistema 24 horas, sete dias por semana) e os caminhões também são equipados com o Fleetboard, sistema de gestão de frotas que, para ser ativado, o transportador precisa pagar uma mensalidade à Mercedes-Benz.

De acordo com Silvio Renan, diretor de peças e serviços ao cliente da Mercedes-Benz, nove revendas participaram do negócio e cinco delas, no inteiror de São Paulo, abriram na própria Raízen pontos de serviços dedicados. “São postos de atendimento que funcionam em regime integral, 24 horas por dia, para permitir o máximo de disponibilidade dos caminhões aos operadores”.

Renan disse que o contrato fechado com a Raízen foi de cinco anos. “Foi nosso contrato mais completo e pelo tempo máximo”. Naturalmente que as empresas não revelam valores, mas considerando os veículos e mais o pacote de serviços, e fazendo-se os devidos descontos inerentes a volumes desta natureza, é possível estimar que o valor total desta transação superou os 130 milhões de reais, a maior parte financiado via Finame. Ian Dobereiner, diretor agrícola corporativo da Raízen, explicou que a empresa trabalha com a frota terceirizada mas que tem total gestão e controle sobre a operação dos veículos. “Trabalhávamos com mais de 200 transportadores e, no final do ano passado, resolvemos reduzir este número para apenas oito para termos maior controle e assegurarmos maior eficiência logística na operação”.

O que Dobereiner explica é que, embora a frota seja terceirizada, toda negociação para renovação dos caminhões é feita pela própria Raízen. “Nosso contrato prevê que só trabalhamos com frota com idade média de cinco anos. Quando chega o momento de se fazer a troca, nós sentamos com as montadoras e discutimos as melhores condições para um bom negócio para nossos fornecedores”.

O executivo da Raízen disse que, desta vez, foi a Mercedes-Benz quem ofereceu o melhor pacote de soluções. “Não temos compromisso com uma marca, a cada novo processo de renovação vamos discutir com todas as montadoras. Mas, desta vez, a Mercedes-Benz foi quem melhor atendeu nossas demandas com produtos de alta qualidade, serviços eficientes e, claro, valores interessantes”.

Roberto Leoncini, vice presidente de vendas, marketing, peças e serviços da Mercedes-Benz, profissional que conhece muito bem o mercado e gosta de acompanhar negociações, comemorou o negócio da década reforçando como o agronegócio pode ser protagonista na retomada econômica do País. “Esse expressivo volume de venda é resultado do ótimo relacionamento que mantemos com a Raízen, para quem, neste caso, desenvolvemos e aprimoramos soluções focadas no transporte canavieiro”, comenta Leoncini.

Diz o vice-presidente da Mercedes-Brenz: “A venda de um grande volume de caminhões é mais um sinal da força do agronegócio e do seu papel essencial na retomada do crescimento econômico do País”.

Como o segmento de semipesados tende a crescer e representa, em média, 30% das vendas totais de caminhões, e considerando que 86,5% das estradas do Brasil, pasmem, não tem pavimento algum, a Mercedes-Benz resolveu deixar sua linha de caminhões Atego mais robusta.

O Pacote Robustez contempla o parachoque dianteiro tripartido, que permite ângulo de entrada maior, grade metálica de proteção do farol, nova posição da luz de seta, primeiro degrau da cabina em metal e nova posição do suporte para placa, visando facilidade de acesso ao engate do cambão. Além dessas características, os caminhões Atego podem ser configurados com os pneus 295/80R22.5, mais altos.

Gigante no setor sucroalcooleiro

Criada a partir da junção de parte dos negócios da Shell e da Cosan, a Raízen é uma das empresas do setor energético mais competitivas do mundo. A empresa está entre as três maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil, sendo a principal fabricante de etanol de cana-de-açúcar do País e a maior exportadora individual de açúcar de cana no mercado internacional.

Quando se trata de álcool e açúcar, a Raízen coloca em prática um processo totalmente integrado do setor sucroenergético, com atuação em todas as etapas: cultivo da cana, produção de açúcar e etanol, logística interna e de exportação, distribuição e comercialização.

A empresa pussui 24 unidades de produção de açúcar, etanol e bioenergia, uma fábrica de etanol de segunda geração e, por ano, processa 4,5 milhões de toneladas de açúcar 2,1 bilhões de litros de etanol, 25,2 bilhões de litros de combustíveis comercializados e faz a cogeração de 940 MW de energia (capacidade instalada).

 
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