A hora da sensatez

 

Os índices econômicos em queda são mesmo alarmantes. Economistas preveem um pequeno alívio na crise no ano que vem, mas ainda assim, com um PIB igualmente negativo, fato que só ocorreu há mais de 80 anos, no início da década de 1930 quando o País atravessou dois anos seguidos com retração negativa no PIB.

As demissões são alarmantes e o governo dá demonstrações positivas que está atento e trabalhando para reverter este quadro. A presidenta Dilma Rousseff elencou como prioridade o diálogo com o congresso nacional para buscar o necessário apoio às reformas estruturais que buscam um ambiente econômico mais favorável no País. Batizada de “Agenda Brasil” as propostas, caso verdadeiramente postas em prática, são muito boas mas a questão é que a viabilidade de cada uma está atrelada aos mais variados interesses políticos.

“Quanto mais cedo empresários e trabalhadores retomarem o otimismo mais rapidamente será possível ver os resultados deste crescimento econômico”

A solução para os atuais problemas econômicos do País, de acordo com uma conversa reservada com o Ministro do Trabalho e Emprego Manoel Dias, é bem mais simples do que se imagina, “bastaria que a oposição deixasse os interesses políticos de lado e trabalhasse, neste momento, prioritariamente em favor do País”. Diz o ministro: “O Brasil possuí fortes fundamentos econômicos, tem grau de investimento de bom pagador, politicamente é uma democracia estável e consolidada, tem uma das mais altas produtividades do mundo no setor agrícola e adicionou, na última década, 35 milhões de pessoas à classe média”.

Além disso, de acordo com o ministro, nos últimos dez anos “o País gerou mais de 18 milhões de novos empregos”. Manoel Dias diz que é preciso lançar um olhar “mais analítico e imparcial” para o País para compreender que a atual crise tem uma conotação muito mais política do que econômica. “O governo está sensível às demandas das empresas, das entidades de classe, sindicados e trabalhadores e, por isso mesmo, rapidamente criou o Programa de Proteção ao Emprego flexibilizando regras para permitir melhor adaptabilidade a qualquer crise econômica minimizando os prejuízos aos trabalhadores e empregadores”.


O ministro acredita que o País terá uma nova fase de expansão econômica
Para Manoel Dias, o maior problema atual é uma crise de confiança que afeta nocivamente empresários e trabalhadores e gera um ambiente ruim para negócios por conta da insegurança. “É preciso que a população tenha consciência e conhecimento que o governo está fazendo sua parte a despeito da oposição política e também de alguns setores da sociedade pregarem o contrário”. Segundo o ministro “todos perdem, e muito, com esta propagação irresponsável de um caos político e aguda crise econômica”. Em suas palavras, “o Brasil voltará brevemente a crescer e quanto mais cedo empresários e trabalhadores retomarem o otimismo mais rapidamente será possível ver os resultados deste crescimento econômico do País”.

"todos perdem, e muito, com esta propagação irresponsável de um caos político e aguda crise econômica"

Estimulado a falar mais especificamente sobre transporte e o setor automotivo, Manoel Dias disse que os estrategistas das grandes montadoras conhecem muito bem os potenciais do mercado brasileiro para médio e longo prazo “caso contrário não anunciariam, por exemplo, 9 bilhões de reais de novos investimentos somente para este ano”. O ministro afirmou que o Brasil há muito tempo é um dos maiores mercados do mundo para muitas montadoras aqui instaladas e “será sempre um mercado fundamental para indústria automotiva”.

O ministro do Trabalho e Emprego destacou ainda, durante a entrevista, a nova etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL) que promete promover uma significativa modernização na infraestrutura de transportes do País. Estão previstos 69 bilhões de reais em investimentos entre 2015 e 2018 e mais 129 bilhões de reais a partir de 2019 em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. “O governo entende que são investimentos fundamentais para um efetivo e sustentável crescimento econômico e com toda certeza vão acontecer”. Manoel Dias diz que o País terá uma nova fase de expansão econômica em um momento ainda mais positivo uma vez que os grandes parceiros comerciais do Brasil, “como a China”, não estão em crise.

“Como disse, é preciso olhar o País sob um prisma mais analítico com foco nos reais fatores econômicos e parar de se fazer projeções catastróficas fundamentadas apenas em posições políticas antagônicas ao atual governo”. O ministro chama a atenção para, neste momento, haver um esforço maior das lideranças políticas, empresariais e dos trabalhadores para deixar as diferenças partidárias de lado e proporcionar, efetivamente, um ambiente econômico mais favorável: “um pouco mais de otimismo empreendedor e uma boa dose de confiança neste governo já seriam passos indiscutivelmente importantes para a retomada do crescimento econômico no curto prazo”.

 
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