Bom momento para novos investimentos

 

Por Redação Transpodata

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Orlando Merluzzi ()

Lá se vai o primeiro trimestre do ano e os segmentos de caminhões e veículos off-road vivem momentos antagônicos em vendas e em perspectivas futuras de curto e médio prazos.

Para caminhões, apesar da catástrofe recente, que fez com que os atuais níveis de vendas tenham se constituído no pior momento da história para fabricantes e redes de concessionárias, há uma luz no fim do túnel que ainda não brilhou como deveria.

Quando comparamos o ano de 1992, até então, o mais depressivo de décadas recentes em volume absoluto de vendas de caminhões, com os íveis atuais, levando-se em conta a evolução, no período, dos elementos macroeconômicos que respaldam o setor, tais como PIB, exportação, agroindústria, financiamento, safra, balança comercial etc., concluiremos que os 50.000 caminhões vendidos em 2016 representaram volume relativo, menor do que os 26.000 caminhões vendidos há 24 anos.

Todavia, a safra recorde esperada para os próximos meses, aliada ao câmbio posicionado acima de R$ 3,00 por dólar, criará um ambiente favorável para o início da retomada. Nem tanto, pois o índice de confiança do consumidor ainda resta latente e a razão para isso continua lastreada nas questões políticas e criminais, que afetam colateralmente a economia.

Não tome como base para projeção da indústria em 2017 os resultados dos dois primeiros meses deste ano. Calma!

O crescimento esperado para o PIB em 2017, que até o fim de março era projetado em 0,5%, já aparece em algumas análises econômicas como 1,0% e há até quem o projete em 1,2% para este ano. Para que isso ocorra, o último trimestre de 2017 deverá ter o PIB rodando a uma velocidade de 2,3% ao ano. Isso faz todo sentido. A safra agrícola 2016/2017 deve superar 220 milhões de toneladas e os resultados de novos investimentos, nacionais e estrangeiros, no setor petrolífero, geração de energia, logística e saneamento, podem acelerar a reversão da curva.

Aliado a isso, a inflação já despencou. O que pode atrapalhar? Um eventual impedimento do atual governo, a reprovação das reformas propostas no Congresso, a entrada gloriosa do BNDES nas agendas de investigação da Polícia Federal e do Ministério Público, e uma nova desestabilização política, tudo o que o Brasil, a economia, os setores produtivos que geram empregos e riqueza não precisam neste momento.

Tirar um coelho da cartola ou fazer uma bela limonada desse limão azedo é o grande desafio para motivar novos investimentos nos setores de caminhões e máquinas. Razões para isso não faltam. É preciso que o racional supere o efeito emocional ou ideológico nos processos decisórios e de formação de opinião. O Brasil já provou sua elevada capacidade de resiliência. Além das boas notícias do agronegócio, teremos eleições em 2018, 2020 e 2022, com tendência expansionista.

Quem investir no Brasil agora, momento de baixa, poderá otimizar recursos e sair na frente no momento da inevitável retomada. Acredito que o País não continuará nesse marasmo pelos próximos cinco anos. Esse é o tempo para amadurecer novos planos de negócios, desenvolvimento de produtos, construções e novas operações.

As fabricantes de caminhões precisam continuar a desenvolver produtos e investir em suas redes de concessionárias. As fabricantes de máquinas agrícolas, idem, afinal, para viabilizar a produtividade de um setor que deve atingir 250 milhões de toneladas, antes do ciclo previsto, será necessário antecipar novas tecnologias.

Já no setor de equipamentos de construção, o investimento ficará a cargo da nacionalização de produtos e componentes, e também podemos prever uma retomada na construção civil a partir de 2018. Se o Governo não atrapalhar muito, a economia retomará de alguma forma e com ela, novos investimentos em infraestrutura. Aos poucos, os índices de confiança dos setores produtivos começarão a crescer. Investir agora é uma decisão estratégica e necessária.

() – Consultor de empresas, conselheiro, escritor e palestrante.

 
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