Em busca do tempo perdido

 

Um dos maiores empresários do agronegócio de GoIÁs , Evaristo Barauna, dono do Grupo Ceral, até o ano passado só comprava caminhões das marcas Scania e Volvo para transportar soja e milho das fazendas para processamento em sua usina, em Rio Verde, GO, e também para levar os grãos para os portos de Santos, SP, e Paranaguá, PR, para exportação.

Barauna montou uma empresa muito bem estruturada para oferecer todo tipo de serviço aos agricultores da região: compra, vende, armazena, processa, exporta, faz permuta com insumos e produz ração animal. Diz seu filho, Adriano, que desde janeiro deste ano assumiu a presidência da empresa: “da soja só não aproveitamos o cheiro”.

Enquanto a economia seguiu difícil no Brasil no ano passado (o pior das últimas duas décadas) o Grupo Cereal é mais uma entre aquelas raras empresas que experimentaram expansão acima de dois dígitos: cresceu 10% em relação a 2015 que, por sua vez, já tinha crescido 16% em cima de 2014.

Com a prometida safra recorde neste ano para o Brasil e, consequentemente na região, esperada para 220 milhões de toneladas de grãos, pai e filho projetam expansão de 23% este ano em comparação com o ano passado. E foi neste micro universo sem crise que a Mercedes -Benz focou para driblar o debacle no setor de caminhões.

Força-tarefa da empresa encabeçada por Roberto Leoncini, vice-presidente de vendas, mais representante local da marca, mais a alta cúpula da concessionária local, mais Rodobens (grupo dono de revendas e banco), fizeram uma boa proposta para o Grupo Cereal acrescentar à sua frota de 50 caminhões mais 20 Actros 2651 6x4 de 510 cv, o pesado da marca especialmente concebido para operações “mix road” (roda com boa performance em estradas pavimentadas e sem pavimento).

Foram os primeiros Mercedes-Benz da empresa que não abre mão de trabalhar com frota própria na logística de grãos. “Grande parte de nosso transporte é feito por frota própria, mas também usamos uma pequena parte com terceiros.

Porém, preferimos a confiança e a disponibilidade de operarmos com nossos próprios caminhões”, diz Adriano Barauna, presidente do Grupo Cereal. Para efetivar esta venda e conquistar um novo cliente, o modelo de negócio proposto pela Mercedes-Benz foi o leasing operacional, modalidade ainda pouco usada no Brasil mas que vem crescendo nos últimos dois anos. De acordo com Paulo Peres, gestor de frota do grupo, esta é a primeira vez que a empresa faz uso desta modalidade de financiamento em que os veículos são, em tese, alugados em vez de comprados via financiamentos convencionais.

Para o patriarca do grupo, Evaristo Barauna, o leasing operacional surpreendeu porque todo o processo contábil é previsível ao longo dos anos de uso dos caminhões “e não é preciso imobilizar capital no bem”.

Satisfeito, Barauna, que fechou o negócio com 15 Actros no final do ano passado, no início deste mês assinou contrato para acrescentar à sua frota mais cinco unidades sendo que, embora prefira não comentar, outras dez unidades estão em negociação. Tudo Actros e 100% leasing operacional. Evaristo Barauna comenta que as outras marcas não lhe ofereceram esta opção “inovadora de financiamento”. E agora, com declarados relatos de satisfação com o produto e com os serviços, tudo indica que a concorrência vai ter mais trabalho para vender novos caminhões de outras marcas para o Grupo Cereal.

Com os 20 caminhões Actros 2651, o Grupo Cereal soma agora em sua frota 65 veículos com idade média de aproximadamente 3,5 anos. A maior parte dos caminhões é graneleiro e há dez tanques para transporte de óleo de soja degomado e silos de ração. Os veículos são utilizados na interligação das áreas de produção agrícola com os dez armazéns gerais da empresa e suas unidades industriais, num raio de 200 quilômetros.

Deste total, cerca de 40% são vias não pavimentadas. Uma parte da frota é utilizada para escoar os grãos para os portos de Paranaguá, no Paraná, e de Santos, em São Paulo.

“A boa aceitação do Actros no transporte de grãos na região Centro-Oeste mostra que estamos no caminho certo ao oferecer soluções adequadas a cada demanda dos clientes, de acordo com as características de suas operações de transporte”, afirma Roberto Leoncini, vice -presidente de Vendas, Marketing e Peças & Serviços Caminhões e Ônibus da Mercedes -Benz do Brasil.

O caminhão rodoviário Actros 2651 começou a ser comercializado no ano passado. “Apesar da retração nas compras dos transportadores ligados ao agronegócio em 2016, esse modelo teve 260 unidades emplacadas”, informa Leoncini. “O resultado dos caminhões Actros contribuiu para que a Mercedes-Benz aumentasse sua participação no segmento de extrapesados, chegando a 22,9% de market share em 2016, frente a 21,5% do ano anterior.

Em janeiro deste ano, esse índice já subiu para 24,2%”. O milagre econômico dos grãos Levantamento feito pela CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) em fevereiro aponta que a produção de grãos irá bater novo recorde no Brasil, devendo chegar a 219,1 milhões de toneladas na safra 2016/2017, volume 17,4% superior aos 186,6 milhões de toneladas da safra anterior.

A soja continua na liderança (105,56 milhões de toneladas), seguida de milho (87,41 milhões, duas safras), arroz (11,89 milhões) e feijão (3,28 milhões, duas safras), além de outros grãos. O Centro-Oeste é a região que mais produz grãos no Brasil, devendo colher 94,5 milhões de toneladas, o que significa um crescimento de 25% em relação à safra anterior.

O Estado de Goiás é o segundo maior produtor do Centro-Oeste, com estimativa de 20,8 milhões de toneladas (crescimento de 18,6% em relação à safra anterior), atrás do Mato Grosso, com 55,9 milhões. Goiás é também o 4º maior produtor do Brasil. A cidade de Rio Verde, distante 220 quilômetros da capital Goiânia, é a maior produtora de grãos de Goiás, respondendo por cerca de 1,2 milhão de toneladas de soja e milho, além de outras culturas. É também um importante centro de difusão de novas tecnologias.

“O anúncio do novo recorde de produção de grãos traz alento não só para o agronegócio, como para toda a economia do País”, ressalta Ari de Carvalho, diretor de Vendas e Markeing Caminhões da Mercedes- Benz do Brasil. De acordo com o executivo, o novo recorde de produção de 219,1 milhões de toneladas de grãos significa 32,5 milhões de toneladas a mais a serem transportadas e a movimentação desse imenso volume de produção é feita principalmente por caminhões. “Em ocasiões como essa, o potencial para venda de caminhões extrapesados cresce muito e não é diferente no Centro- Oeste”, avalia Carvalho.

 
LEIA TAMBÉM