Inteligência de mercado

 

O maior sindicato empresarial do setor de transporte do País, o SETCESP, que congreg a os frotistas da cidade de São Paulo e Reg ião Metropolitana, acaba de lançar um instituto independente dedicado exclusivamente às pesquisas de mercado para o setor. O nome é Instituto Paulista do Transporte de Cargas (IPTC) e o foco principal será prestar serviços de inteligência e análise de mercado tanto para a entidade como para os transportadores associados.

De acordo com Tayguara Helou, presidente do SETCESP, “o IPTC foi criado para dar maior embasamento técnico aos estudos da própria entidade com vistas a melhorar a eficiência de seus associados”. O primeiro estudo elaborado foi sobre segurança nas estradas paulistas. Segundo levantamento realizado pelo IPTC, cerca de 25% dos acidentes nas rodovias federais do Estado de São Paulo envolvem veículos de carga. Desse total, 57% acontecem durante o dia, em horário comercial, e, apesar da maioria dos motoristas sairem ilesos, há prejuízos para outros veículos, trânsito e estradas.

Para Fernando Zingler, diretor-executivo do novo órgão, o IPTC tem o objetivo de prover serviços aos transportadores e fornecer estudos e pesquisas que identifiquem soluções em mobilidade urbana junto à iniciativa pública.

“Nosso foco será voltado para o levantamento e análise de dados para que nossos associados sejam mais eficientes e competitivos”, diz Zingler. O IPTC não tem fins lucrativos e pode, caso solicitado, prestar algum tipo de serviço para setores do governo interessados no transporte rodoviário de carga.

Outro levantamento realizado pelo IPTC trata sobre a frota instalada na base do SETCESP. O estudo identificou mais 1,1 milhão de veículos de carga licenciados nos 50 municípios que compõem a base territorial da entidade. Este montante representa 38% da frota do Estado.

Para Tayguara Helou, o IPTC poderá agregar e impactar positivamente no dia-a-dia dos transportadores da carga: “O IPTC será um hub de informações para os transportadores, no qual serão produzidas matérias de fácil entendimento 56 TRANSPODATA - Abril 2017 sobre as restrições na grande região metropolitana e medidas de caminhões, ou seja, o instituto vai ser o suporte mais prático para quem opera em São Paulo e quer evitar multas ou operações irregulares”.

Zingler e Helou ressaltaram que o IPTC já tem uma série de objetivos e tarefas para este ano. O novo órgão vai se concentrar em estudos para mapear a frota, a infraestrutura e, as políticas urbanas com foco em um estudo para se provar a viabilidade de um antigo sonho da SETCESP: as entregas noturnas. “Precisamos mostrar para as autoridades que é possível fazer padronizações de estacionamento, de veículos VUC e, especialmente, das regras de restrição de circulação que, atualmente, são diferentes de cidade para cidade”, comentou Zingler.

Entre as prioridades de estudos a serem elaborados (todos emergenciais, segundo Tayguara Helou), há também levantamento das frotas irregulares, mais informações sobre roubo de carga, com mapeamento mais preciso dos locais e modalidades de delitos e um aprofundamento de conhecimentos sobre as diversas formas de informalidades no setor.

O que o IPTC vai fazer, em resumo, é dar fundamento científico, com base em dados e estatísticas, para jogar luz sobre os principais problemas que afligem o setor e contribuem para gerar ainda mais prejuízos e problemas financeiros. “Não é só o frete baixo que prejudica o transportador, outros grandes problemas também geram grandes prejuízos e temos que agir com inteligência para minimizá-los”.

 
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