Potência máxima no Brasil

 

A despeito do mercado brasileiro de caminhões ter escorreg ado mais uma vez no primeiro bimestre deste ano, executivos da Volvo apostam que as vendas crescerão 10% em comparação com o ano passado. “Mas não vamos nos surpreender se houver outra estilingada e a expansão for bem acima deste índice”, diz Bernardo Fedalto, diretor de vendas de caminhões.

A Volvo não só espera como está preparada para a retomada e quer tirar dividendos da situação positiva que começa a se desenhar no mercado nacional. A empresa anunciou investimento de 1 bilhão de reais na América Latina entre este ano e 2019. Segundo Wilson Lirmann, presidente do Grupo Volvo América Latina, “90% deste valor será injetado no Brasil para desenvolvimento de novos produtos e melhorias na fábrica e na rede de concessionárias”.

No ano passado o mercado nacional de caminhões caiu 30% em comparação com 2015, mas a Volvo conseguiu minimizar o prejuízo tirando participação de seus concorrentes diretos: no total a montadora sueca ficou com 11,16% de share e isso a colocou na quarta posição entre as marcas que atuam no País, atrás apenas das empresas que oferecem linha completa de caminhões (que vai dos leves aos pesados): Mercedes-Benz, MAN e Ford.

A liderança do segmento de pesados ficou com o modelo FH quando se leva em consideração distinção de motorização. Há duas configurações de potência do pesadão da Volvo: 460 e 540 cv. Levando-se em conta o critério dos emplacamentos da Fenabrave, que considera cada potência um modelo distinto, o Scania R 440 é o líder do segmento. Fedalto tem um objetivo claro para o segmento de pesados: “queremos manter o FH com uma média de 28% de participação este segmento e isso, certamente, nos posicionará na liderança”.

Com queda acentuada das vendas no Brasil, a exemplo de suas concorrentes, a Volvo concentrou forças nas exportações. De acordo com Lirmann, a empresa aumentou em 30,6% as exportações para países da América Latina (com exceção do México, que é atendido pelos EUA). 42% da produção de caminhões foi destinada à exportação.

Ônibus - Já nos negócios com ônibus, cuja queda geral do mercado foi de 33% em 2016 comparado com o ano anterior, a Volvo também conseguiu um ligeiro aumento de seu market share de 9,3%, em 2015, para 9,5% no ano passado.

De acordo com Fabiano Todeschini, presidente da Volvo Bus Latin America, o peso das exportações é ainda maior: 60% da produção de chassis de ônibus da marca cruzaram a fronteira do Brasil. “As vendas externas foram muito importantes para equilibrarmos nossos negócios e compensarmos a queda no mercado doméstico”, diz o executivo. Para se ter uma ideia do crescimento das exportações de ônibus da marca “made in Brazil” basta lembrar que em 2012 as vendas externas representaram apenas 38% da produção.

A Volvo sempre vendeu mais ônibus no Brasil que em qualquer outro mercado que atua no mundo. Mas com a crise, o País perdeu a liderança e passou a ficar na sexta posição. “Ainda assim é um volume significativo e mostra que, mesmo na crise, o mercado nacional se posiciona entre os top 10 da marca”, diz Todeschini.

Lirmann está alinhado com os demais líderes do setor de caminhões quanto ao índice de retomada das vendas para este ano. A expectativa é da ordem de 10% “no máximo 15%”. Já sobre uma aceleração bem acima do esperado, o presidente prefere a cautela: “se ocorrer estaremos preparados e será maravilhoso”.

A expectativa positiva, mais uma vez, é influenciada pelo agronegócio cujo recorde na safra de grãos, que pelas estimativa da Conab vai bater 220 milhões de toneladas, certamente vai contribuir para puxar as vendas de pesados. Mas certamente só esta boa notícia não será suficiente para contabilizar expansão de 10% neste mercado.

 
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