Eles cresceram 30% em plena crise

 

O Brasil sempre será um País surpreendente. No meio da mais prolongada e severa recessão, ainda é possível garimpar prosperidade incomum em alguns setores da economia. A Maahs, empresa de areia, brita e concreto, fundada em 1986 em Campo Alegre, Casal de empresários diversifica produtos, investe em qualidade e incrementa logística para conquistar mais clientes. interior de Santa Catarina, é um bom exemplo de crescimento exponencial em tempos de crise.

Porém, para crescer, a empresa precisou, mais do que se reinventar, ousar. O primeiro passo foi fazer a lição que todo bom empreendedor deve praticar incansavelmente: diversificar seus produtos para não ficar refém apenas de um. A Maahs, comandada por Carlos Maahs, que assumiu o negócio de extração de areia de seu pai em 2002, começou a oferecer ao mercado brita em 2011.

“Gosto de observar as oportunidades e buscar sempre oferecer o que meus concorrentes ou não têm ou oferecem com qualidade inferior”, diz Carlos que, segundo conta, tem “faro” para detectar bons minérios a serem trabalhados no mercado. “Quando namorava minha atual esposa fui fazer um serviço de jardinagem na casa de meu sogro e notei, nos fundos, um morro com uma terra de coloração diferente. Registrei a lavra e já faz mais de dez anos que retiro brita de alta qualidade de lá”.

Lilian, esposa de Carlos, trabalha com ele e, com espírito igualmente empreendedor, está sempre atenta às nuances do mercado. Foi ela que, no período mais agudo da crise, em 2015, convenceu o marido a mudar de ideia com relação a um novo projeto: ele queria diversificar e entrar no segmento de asfalto e ela bateu o pé que o certo seria investir em uma máquina para fazer concreto.

Persistente, Lilian não foi dissuadida nem quando Carlos argumentou que no ramo de concretagem eles iriam enfrentar fortes e radicionais concorrentes na região. “Eu tinha opinião que, fazendo um bom produto, e investindo em logística eficiente, conquistaríamos nossos clientes”, conta a empresária.

Deu certo. A Maahs em abril do ano passado já estava com uma máquina de concreto instalada e funcionando. “Planejávamos vender 600 metros cúbicos por mês mas já no primeiro mês vendemos mais de mil”, regozija- se Carlos. A média, já no final do ano passado, foi de 1,4 mil metros cúbicos processados por mês. Mais do que o dobro do planejado. A pergunta é, com tantas obras paradas por conta da crise, como eles conseguiram vender tanto concreto?

Carlos responde na ponta da língua: “a crise fez muitas pessoas melhorarem a própria casa em vez de buscarem uma casa nova e maior”. Lilian acrescenta: “se tivéssemos investido em uma usina de asfalto, com as prefeituras sem dinheiro, estaríamos amargando prejuízos agora”.

Todo o volume produzido pela usina de concreto da Maahs vai para pessoas que optaram mesmo por construir a própria casa ou reformar a velha na região. A empresa atende as cidades de Campo Alegre, Rio Negrinho, São Bento do Sul, Agudos do Sul e Tijucas do Sul, todas no interior de Santa Catarina.

O negócio com concreto deu tão certo que a empresa fechou 2016 com um crescimento de cerca de 30% em relação a 2015 e, para este ano de 2017, espera crescer mais 20%. Lembra que Carlos disse que, neste segmento de concreto, a região já tinha fortes e tradicionais concorrentes? Bem, a estratégia para um novato competir com alguma chance de ganhar mercado dos grandes foi esta: oferecer produto de alta qualidade e uma logística impecável!

“Não praticamos guerra de preços, propagandeamos e comprovamos que nosso concreto é de alta qualidade e garantimos entrega imediata”, diz Carlos. A qualidade não foi difícil assegurar já que a empresa já era tradicional processadora de areia e brita. Já a logística eficiente exigiu consultas a especialistas e um estudo mais elaborado.

“Começamos com três caminhões Iveco Tector betoneira e um bomba”, conta Carlos. Um mês depois, sem nem dar tempo para avaliar tecnicamente os veículos nesta operação, a demanda exigiu a compra de um novo caminhão betoneira. “Como precisávamos de um caminhão com maior capacidade, resolvemos, em outubro passado, comprar um Mercedes -Benz Atego 2730 6x4”.

De acordo com Carlos, este caminhão, sozinho, escoa cerca de 25% de toda sua produção mensal. “Tivemos uma experiência muito satisfatória com este modelo do Atego e, também, com todo suporte que recebemos da fábrica e da concessionária Savana”, relata o empresário. Segundo Carlos, a necessidade de levar concreto para distâncias maiores e em maior volume o fez buscar um veículo que tivesse capacidade técnica para suportar betoneiras de oito metros cúbicos.

Com o crescimento do negócio, a Maahs atende demandasaté um raio de 60 quilômetros da sede da empresa. “Fazemos entregas diárias e escoamos cerca de 90 metros cúbicos por dia”, diz o empresário. Há outro fator de alto risco neste negócio: qualquer problema técnico no caminhão ou mesmo um simples acidente pode causar um prejuízo astronômico. Se a betoneira parar de funcionar por mais de uma hora o concreto solidifica e o equipamento todo é condenado. Só o equipamento, bomba e betoneira, custa 200 mil reais.

“Por isso precisamos ter atenção total com estes veículos. Sabemos que uma máquina pode dar problema mas, para minimizar riscos, compramos sempre os melhores caminhões e cuidamos da manutenção preventiva com redobrada atenção”, relata Claudinei Cuyaski, responsável pela gestão da frota de caminhões da Maahs que é composta por 28 caminhões, sendo 20 da marca Mercedes -Benz. Mais da metade destes veículos são basculantes para transporte de brita e areia.

O mix de produtos da Maahs mudou radicalmente desde que a empresa começou a mexer com concreto. Atualmente a composição é esta: brita responde por 40%, areia por 30% e o concreto mais 30%. De acordo com Carlos, a tendência é o concreto crescer mais e chegar a 40% já neste ano, diminuindo em cerca de 5% a participação da areia e da brita. Carlos e Lilian, no entanto, já estão de olho em outros negócios com minérios mas preferem manter os próximos passos em segredo.

 
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