Quando o valor da carga é inestimável

 

Atividade aparentemente simples do transporte de cargas, as mudanças é, de longe, uma das mais complexas. É um setor com diversas peculiaridades, a começar pelo fato de que movimenta mercadorias muitas vezes insubstituíveis e que não dispõem de nota fiscal, por exemplo. Este transporte também não tem sossego em relação às restrições ao caminhão nas grandes cidades e, no segmento corporativo, sofreu bastante com a crise, a exemplo das outras especialidades.

Segundo Ciro César Lopes, empresário do segmento de transporte e logística de mudanças com mais de 35 anos de vivência no ramo, para trabalhar com mudanças é preciso, além de vocação, uma grande dose de sensibilidade “uma vez que você está lidando com objetos pessoais, muitos dos quais com inestimável valor sentimental”.

“A grande diferença do que a gente faz para as outras especialidades de transporte é que para trabalhar com mudança é obrigatório ter consciência de que estamos movimentando peças de valores incalculáveis”, conta o transportador, que é dono da Mudlog, empresa especializada nos segmentos residencial e corporativo.

Na crise, o setor teve uma quebra, no corporativo, de cerca de 40% no movimento de fretes, mas, mesmo assim, a saída de empresas de seus locais para estruturas menores ajudou a estancar a sangria. “Foram muitas mudanças corporativas para locais menores, compartilhados. Todo mundo procurou enxugar suas estruturas e isso impulsionou o mercado de pequenas e médias mudanças corporativas. Mesmo assim, nosso setor teve esta queda grande e a solução foi chegar ainda mais perto do cliente para alinhar e viabilizar as operações com os custos e remunerações”, conta Lopes.


Ciro César Lopes, diretor da Mudlog

Somente na Grande São Paulo, segundo dados do setor, são realizadas mais de 1,5 mil mudanças. Destas, 300 são corporativas. Este trabalho requer equipes bem treinadas, veículos adequados e muita inteligência logísticas. Os desafios vão desde os horários restritos para a circulação de caminhões nas áreas urbanas até a compra de embalagens especiais para acondicionar os objetos do cliente. “Temos marcenarias especializadas que são nossas parceiras para criar a embalagem certa para cada objeto. No próprio corporativo é comum fazermos a mudança de obras de arte delicadas e únicas, e, para isso, criamos os racks e os engradados, acondicionamos tudo para que não haja qualquer variação. Não se pode errar nesse tipo de transporte. A carga é, muitas vezes, insubstituível”, diz Ciro.

No cotidiano, a vida de quem opera o transporte de mudanças corporativas pode ser extenuante. A Mudlog, que atende clientes como a Universidade de São Paulo (USP), a Unilever e outros grandes players do mercado, realizou sua maior empreitada ano passado em uma mudança feita para a Intermédica. O trabalho foi considerado a maior transferência de uma companhia de convênio médico na América do Sul.

O cliente transferiu departamentos administrativos de cinco de suas unidades localizadas na cidade de São Paulo para um único prédio na Avenida Paulista. A operação correspondeu a aproximadamente 2,7 mil colaboradores transferidos, 13 andares de mudança, três mil caixas de computadores e oito mil volumes de embalagens de arquivos e pertences pessoais. Foram utilizados 35 caminhões que trabalharam ao longo de sete finais de semana, em um total de 156 horas de trabalho

 
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