Automatizadas mais inteligentes

 

As caixas automatizadas vieram para ficar no mercado brasileiro. A Volvo lançou a sexta geração de sua I-Shift e a Mercedes- Benz passa a oferecer sua caixa PowerShift também para os caminhões off road da linha Axor. A característica mais marcante destas novas caixas automatizadas, e também das novas gerações de caixas das fabricantes independentes, é inteligência eletrônica embarcada nestes novos equipamentos. Sistemas que tornam a condução mais sob controle tanto do condutor quanto, também, e principalmente, do gestor de transportes.

Álvaro Menoncin, gerente de engenharia de vendas da Volvo, resume muito bem o quanto estas novas caixas são mais inteligentes que as anteriores: “O caminhão conversa mais consigo mesmo e com o motorista. E o condutor tem mais controle sobre o veículo”. Com a tecnologia mais sofisticada destas novas caixas é possível conseguir maior eficiência no processo de gestão de frotas por meio de programas específicos disponíveis na internet. E cada montadora oferece o seu sistema próprio de gestão de frota (Scania, Mercedes-Benz e Volvo têm estes serviços).

Também de olho no mercado off road, a Volvo lançou a opção da I-Shift com marchas super-reduzidas com duas opções: de 13 ou 14 velocidades. Esta nova caixa é indicada para linha de caminhões FH, FMX E FM e permite um PBT de até 300 toneladas em aplicações específicas e controladas.

O segmento off road vem merecendo atenção especial dos grandes players de caminhões. Certamente porque será daí que virão as primeiras reações de uma potencial retomada econômica. “O campo sempre sofreu menos com as recessões brasileiras e é de onde normalmente vem os primeiros sinais de retomada”, diz Bernardo Fedalto, diretor de vendas da Volvo do Brasil.

PowerShift MB G330 12K: caixa específica para operações severas

A Mercedes-Benz lidera o segmento off road com 49% de participação e anunciou recentemente que seus Axor 3344 (para canavial e madeira) e Axor 4144 (para construção e mineração) serão equipados, na versão 2017 (mas com vendas a partir de agora) com a segunda geração da caixa PowerShift, modelo MB G330 12 K (12 velocidades). Assim como a I-Shift, da Volvo, a nova caixa da Mercedes-Benz traz diversas inovações para tornar a operação ainda mais eficiente como, por exemplo, sensor de inclinação (o caminhão entende o grau de inclinação de uma rampa e faz a troca automaticamente buscando a melhor marcha para permitir maior velocidade do conjunto sem forçar o motor ou gastar mais combustível).

De acordo com Hélio Ribeiro, da engenharia de marketing de produto da Mercedes-Benz, a nova caixa vem com dupla embreagem e esta modificação permite que o engate das marchas seja 40% mais rápido que as caixas anteriores. “A troca mais rápida permite à composição (bitrem) maior velocidade o que se traduz em maior produtividade”.

Assim como Fedalto, Ari Carvalho, diretor de vendas e marketing da Mercedes-Benz, aposta no setor agrícola como o propulsor da retomada econômica nacional. “Os mercados de cana de açúcar e madeira certamente vão crescer no ano que vem acima do crescimento dos outros setores que começarem a se recuperar”. Sem arriscar estimativas muito otimistas, Carvalho prefere ficar dentro do que o mercado já projeta para o setor como um todo: 10% de expansão. Para um mercado que se tornou dramaticamente pequeno, é pouco. Mas para quem amarga 30 meses de sucessivas retrações, é um ótimo começo.

“Vendemos aproximadamente mil caminhões para cana neste ano, no ano que vem esperamos vender 1.100 unidades para este setor”, afirma Carvalho. A Volvo também espera um aquecimento mais ligeiro no setor agrícola para vender tanto seus veículos off road como, também, os caminhões FH estradeiros que movimentam a safra. “O campo vai dar respostas positivas mais rapidamente e também é um setor que busca constantemente inovações que melhorem a produtividade”, destaca.

 
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