Por um mundo mais conectado

 

O visitante que passou pelo estande da ZF no IAA se surpreendeu com um caminhão transparente, feito em acrílico, para demonstrar como certas tecnologias futuristas que apareciam apenas em filmes de ficção científica já são realidade e estão disponíveis. Com óculos de realidade virtual, os visitantes eram convidados a uma imersão neste novo mundo, agora não mais virtual, mas real, em que sofisticados sistemas eletrônicos permitem que caminhões executem manobras complexas de maneira autônoma e, mais ainda, interfiram na condução naquele momento dramático onde é preciso frieza, habilidade e agilidade de raciocínio.

Já sabemos há décadas que, humanamente, não somos capazes de fazer cálculos matemáticos mais rápido que uma simples calculadora. Partindo deste princípio ilustrativo, a ZF, por meio de seus sistemas, fez com que os caminhões possam tomar decisões emergenciais na mesma velocidade que uma calculadora resolve uma complexa conta de multiplicação. Ou, para uma explicação ainda mais simplista, sabe aquela qualidade demasiadamente humana que chamavam de “reflexo rápido” de certos motoristas? Bem, a engenharia da ZF desenvolveu sistemas capazes de fazer com que os caminhões sejam dotados com este “reflexo rápido”. É o que eles batizaram de sistemas capazes de “ver, pensar e agir”. Câmeras enxergam o problema, sensores atuam no veículo e o fazem agir em frações de segundos. E esta rapidez, acreditem, é capaz de salvar muitas vidas e remotamente são qualidades possíveis aos humanos.

E a ZF vem se preparando há anos para prover soluções eficientes para a mobilidade tanto de pessoas como de carga. A empresa é uma das pioneiras no que eles mesmos chamam de “fábricas inteligentes”. Eufemismo para a inovadora Indústria 4.0 cujos processos buscam assegurar mais produtividade, melhor qualidade dos produtos, o uso mais adequado e consciente dos recursos naturais e uma logística altamente eficiente entre todas as unidades do mundo. Com este processo é possível reduzir substancialmente o índice de defeitos e, melhor ainda, garantir celeridade para detectar os problemas muito antes do produto final chegar ao consumidor.

“O mundo digital continua a influenciar nossas vidas cada vez mais, estando presente em nossas casas e automóveis. Desenvolver transmissões e componentes de chassis com o máximo da qualidade já não é mais o suficiente. Se quiser estar bem posicionado no mercado futuramente, é preciso, também, concentrar esforços para entender sobre eletrônica, sensores e redes digitais. A ZF vem acompanhando as megatendências mundiais. Estamos fazendo nossos componentes mecânicos se adequarem ao futuro”, comenta Stefan Sommer, CEO da ZF Friedrichshafen AG.

Por meio dos novos conceitos da Indústria 4.0 que a ZF foi capaz de desenvolver sua nova versão do Innovation Truck 2016 (veja detalhes na edição 60 onde antecipamos as novidades do IAA). Equipado com diversos sistemas desenvolvidos pela empresa, este caminhão é capaz de executar manobras de pátio de maneira autônoma e, em operação na estrada, por meio do dispositivo EMA (Evasive Maneuver Assist), que foi desenvolvido em parceria com a empresa Wabco, permite maior segurança ao semirreboque em caso de manobras evasivas.

Tem, ainda, a função Highway Driving Assist (HDA) que é capaz de manter os caminhões na faixa ao mesmo tempo que respeita uma distância segura do veículo da frente. Com suas competências em matéria de sensores, unidades de controle eletrônico e sistemas mecatrônicos, a empresa faz com que o Innovation Truck 2016 possa ver, pensar e agir.

Agora também no Brasil Enquanto sistemas que permitem manobras autônomas e condução mais eficiente não chegam ao País, a ZF anunciou no IAA que sua transmissão modular TraXon, a mesma que equipa o Innovation Truck 2016, além da 9AS EcoTronic, que é uma evolução da Ecomid, serão produzidas na fábrica de Sorocaba, SP. A primeira é para caminhão pesado e a segunda, para veículos semipesados e médios.

“As transmissões serão nacionalizadas por terem um grande potencial de mercado para os próximos anos. Além disso, a ZF tem confiança na recuperação do mercado brasileiro, mesmo que provavelmente de maneira gradual. A motivação para esta nacionalização veio do sucesso de participação das transmissões automatizadas no segmento de pesados e extrapesados, aliada à crescente demanda dos clientes para a extensão desta solução a outros segmentos”, comenta Wilson Bricio, Presidente da ZF América do Sul.

Do investimento de 100 milhões de reais anunciado em 2014 para a instalação da linha de montagem da AS-Tronic e que posteriormente passaria a produzir a TraXon, aproximadamente um terço destina-se agora aos investimentos necessários para localização da TraXon. A automatizada EcoTronic demandou cinco milhões de reais por utilizar a mesma linha flexível da sua versão manual de nove marchas.

De acordo com Bricio, a tendência de aplicações de transmissões automáticas e automatizadas em caminhões pesados, médios e leves já é bem evidente na Europa. As pesquisas revelam que nos países emergentes esse movimento vem ganhando mais força e conquistará uma fatia expressiva nas vendas nas próximas décadas.

As previsões para 2025 apontam que 70% das vendas no Brasil serão de veículos comerciais equipados com transmissões automáticas ou automatizadas, uma prova de que as empresas de transportes estão cada vez mais adquirindo seus bens pensando no custo total do ciclo de vida do produto, ao invés de somente no investimento de aquisição

 
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