Com fome de crescer

 

A crise é para todos, mas alguns conseguem, por boa gestão e arrojo corporativo, sentir menos seus nocivos efeitos. O presidente da FPT Industrial para América Latina, Marco Aurélio Rangel, assumiu o posto em junho do ano passado, bem no momento em que a crise começou a assustar os brasileiros, e agora, ao completar um ano à frente da fabricante italiana de motores, poderia fazer coro com a choradeira geral dos desesperados com a prolongada dureza dos problemas econômicos do País, mas, ao contrário, tem muito a celebrar.

“Desde que ingressei na equipe da FPT Industrial, nacionalizamos produtos, firmamos parcerias com novos clientes, lançamos novas versões de motores para o segmento automotivo, homologamos novas versões de motores para o mercado off-road, modernizamos a infraestrutura das fábricas e alcançamos ainda mais qualidade para os equipamentos da FPT”, sintetiza o executivo.

O foco para o segundo semestre deste ano e para 2017, além de tornar a marca ainda mais conhecida tanto no Brasil como na América Latina, é intensificar as exportações para os países da região e aumentar a capilaridade da rede de distribuição da FPT.

A dramática queda nas vendas de caminhões afetaram os negócios de todos os fornecedores da indústria, mas a FPT, que de acordo com recente pesquisa Transpodata Top of Mind dos Transportes não é tão conhecida como Cummins e MWM, sentiu menos o tombo nas vendas ao conquistar novos clientes (os comerciais leves da Hyundai é um deles) e, com o câmbio mais favorável, intensificar as exportações.

Motor de 10,3 litros fabricado pela FPT e que equipa os pesados Ford Cargo

A marca italiana, que pertence ao grupo CNH Industrial, além de equipar todos os veículos da Iveco, também fornece seus engenhos a diesel para os furgões Peugeot, Citröen e Fiat. Um dos mais emblemáticos clientes conquistados foi a Ford que, ao lançar sua linha Cargo de pesados, entre as opções de motores de sua tradicional fornecedora, escolheu os motores FPT de 10,3 litros e ainda propagandeou-os no mercado com predicados como “compactos, robustos e mais econômicos”.

“Trata-se de uma parceria estratégica em nível global e de grande sucesso em todo o mundo. Os veículos Ford equipados com motores FPT Industrial têm grande aceitação no mercado e são reconhecidos por serem produtos com elevada qualidade”, diz Rangel.

Embora produza motores para todas as aplicações onde são e pregados (geração de energia e marítimos, por exemplo), é no segmento veicular que a FPT Industrial tem seu maior mercado. 62% dos engenhos manufaturados pela empresa são destinados à aplicação veicular. E se no Brasil a marca está em ascensão, conquistando cada vez mais mercados e sendo cada vez mais conhecida, no mundo, gigantes como a chinesa Foton, a japonesa Fuso e a americana Dodge são clientes fiéis.

Rangel garante que está em negociações com outras marcas instaladas na América Latina mas, zeloso, prefere deixar para anunciá-las com o contrato assinado.

Para os próximos anos, a FPT acredita que o biometano será uma tendência entre os combustíveis alternativos. “Principalmente por sua origem mais amigável ao meio-ambiente, uma vez que ele pode ser gerado por meio dos resíduos sólidos urbanos ou resíduos orgânicos”.

De acordo com Rangel, a FPT Industrial já testou a tecnologia de biometano em diferentes situações, uma delas em um trator da New Holland agriculture, na Itália. No Brasil, a tecnologia foi testada durante a Copa do Mundo de Futebol de 2014, quando a empresa participou de uma ação em parceria com a Iveco, Sulgás e Departamento Municipal de Limpeza Urbana de Porto Alegre (RS). “Na ocasião, os resíduos recolhidos durante a competição foram transformados em biometano e abasteciam o caminhão equipado com o motor NEF 6, utilizado na coleta de lixo”.

Mas, pensando na alternativa de combustível que já pode ser utilizada, a FPT fica com o GNV como alternativa ao diesel. “Hoje a FPT é líder mundial no fornecimento de motores movidos com essa tecnologia. No mundo, a FPT já forneceu 25 mil motores movidos a GNV até hoje”.

 
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