De volta à realidade

 

O Brasil é um País para enlouquecer economistas. É muito difícil achar outro lugar no mundo onde, literalmente, um quadro bom pode mudar para ruim, ou vice-versa, em questão de meses. Analistas e estudiosos da economia brasileira podem fazer suas projeções amparadas em dados, mas raramente alguém acerta. Projetar o desempenho econômico do Brasil de médio e longo prazo é como, nos anos 80, meteorologistas faziam a previsão do tempo. Puro chute científico.

O ano de 2015 começou ruim. Até agora, ficou ainda pior. A queda nas vendas de caminhões assusta quem não é do ramo. Mas, curiosamente, transportadores experientes já esperavam algo assim. O único susto, para alguns, é que a retração veio antes do esperado. “Esperávamos este tombo espetacular para depois das Olimpíadas”, diz um deles, ligado à NTC. Transportadores e caminhoneiros sabem das coisas. Com crédito fácil e juros subsidiados abaixo da inflação, até quem não era do ramo comprou caminhão novo entre 2011 e 2013.

O que ocorre agora é uma grande acomodação no mercado de caminhões. Uma volta à realidade. O azar é que, junto com isso, o PIB caiu. Se o PIB tivesse crescido, o mercado de caminhões cairia do mesmo jeito, só que menos. O PSI Finame não voltará nas mesmas condições daquele triênio de vacas gordas. E é remota a chance do governo fazer alguma ação, este ano, em prol da renovação da frota nacional de caminhões. Ainda assim há sinais positivos de crescimento. E é sempre mais saudável vender alguns caminhões com base em expansão da atividade econômica do que muitos em função de crédito fácil com juros fora da realidade.

 
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